A constituição do Gerencialismo na educação brasileira.

A administração pública experimentou, ao longo de sua história, três modelos evolutivos, a saber: administração patrimonialista, administração burocrática e administração gerencial. Tais modelos passaram por processos graduais de evolução, sem que tenham sido totalmente eliminados no campo prático.



A migração do Estado do modelo burocrático para o gerencialismo, segundo Denhardt (2012) e Matias-Pereira (2010), se iniciou com o esgotamento do modelo burocrático em correspondência ao aumento das demandas e expectativas que emergem da sociedade civil em prol da oferta mais eficiente de serviços públicos. Delineia-se assim, um cenário no qual a Administração Pública é pressionada a adotar modelos de gestão mais ágeis e flexíveis, à semelhança do vivenciado na esfera privada, dando origem à Nova Gestão Pública (NGP), Gerencialismo, ou ainda, em inglês, New Public Management. Este modelo, referenciado nas estratégias de gestão das organizações empresariais, surgiu na década de 1980, nos governos de Ronald Reagan, nos EUA, e de Margareth Thatcher, na Inglaterra. Ambos os governos se tornaram conhecidos por seus ataques aos chamados estados de bem-estar social, implementando em seus países ajustes de cunho neoliberal; traçando fortes críticas aos estados, ressaltando a ineficiência da gestão dos serviços públicos. Na ótica do gerencialismo, a administração pública deve orientar suas atividades de modo a garantir controle, eficiência e competitividade.


É necessário entender também como esse modelo de gestão gerencialista tem influenciado na administração universitária e consequentemente nocampo educacional das universidades brasileiras. A constituição do gerencialismo na educação brasileira tem se configurado, desde os anos de 1990, no país, como se caracteriza por um processo no qual o setor público tem incorporado aspectos da cultura empresarial competitiva em sua gestão.



Essas questões são extremamente polêmicas no âmbito da educação, de um lado estão os defensores da prática gerencialista nas universidades como forma de modernizar e inovar o sistema educacional. Já do lado oposto, estão os críticos que garantem que a introdução do gerencialismo nas universidades vem levando-as à falta de uma inserção universitária mais ativa na sociedade, deixando de lado seu papel de mobilizadora do pensamento crítico e tornando-se como meras prestadoras de serviços, onde os alunos passam a ser os clientes, os cursos tornam-se produtos e a lógica do ensino-aprendizagem passa a ser subvertida pela lógica do consumo-satisfação.

Devido a seu caráter interdisciplinar, aliado à interação com um grande número de segmentos da sociedade, os desafios enfrentados pelas universidades são, além de gestão, também de construção de qualidade dentro de cenários altamente dinâmicos. São esses cenários dinâmicos que constituem desafios para as instituições universitárias, fazendo com que se busquem novas alternativas de gerenciamento, de eficiência e de financiamento para fornecer serviços de valor à sociedade. As necessidades são muitas e há uma série de fatores envolvidos. (CANTERLE; FAVARETTO, 2008)


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