Os desafios dos Servidores Públicos durante o Home Office

Com o avanço causado pela pandemia de COVID-19, declarada pela OMS, em 11 de março de 2020, tivemos mudanças drásticas na rotina da sociedade global, principalmente na rotina dos trabalhadores. O trabalho a distância se tornou uma prática para grande parte dos brasileiros e diante deste novo cenário, os órgãos públicos se viram forçados a implementar o trabalho remoto junto aos seus servidores, conhecido também como home office ou teletrabalho, com o intuito de dar continuidade na prestação dos seus serviços durante a situação de calamidade pública.



Uma pesquisa realizada no começo do ano passado, pela Global Workplace Analytics, consultoria focada em teletrabalho, aponta que o número de pessoas que tem exercido as suas atividades de forma remota cresceu 140%, de 2005 até o começo de 2020. Já outras pesquisas como o estudo realizado, em 2015, pela Universidade de Stanford, na Califórnia, comprovaram que esta nova modalidade de trabalho, desde que planejada, apresenta diversos benefícios, tais como, redução de custos, flexibilidade de horário, otimização das atividades, maior produtividade, conforto, qualidade de vida e promoção da saúde do trabalhador. No tocante à administração pública, observa-se em número bem menor em relação à iniciativa privada que diversos órgãos têm buscado se adaptar a modalidade de trabalho à distância. Antes mesmo da pandemia alguns entes públicos já haviam implementado esta modalidade de trabalho em seu ambiente organizacional. No Tribunal de Contas da União (TCU), existem registros do home office desde 2009 — no órgão há limitação de 30% da força de trabalho. No Executivo, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) começou, em 2006, um projeto-piloto. No início de 2018, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) começou a implementar o teletrabalho nos setores de tecnologia da informação. O mesmo tem ocorrido no INSS como medida para acelerar a análise de processos de pedidos de aposentadoria, licença-maternidade e auxílio-doença.

Apesar de, já ser uma realidade em alguns setores como empresas privadas e alguns entes públicos, o trabalho à distância representou um espaço novo e de experimentação para o setor público, que não possuía uma estrutura preparada e planejada para ofertar essa transição com cautela e antecedência, em termos tecnológicos e até mesmo legais. De acordo com um levantamento feito pelo Ministério da Economia, 86,7 mil servidores públicos passaram a exercer às suas atividades laborais de casa, em regime de home Office, o que representa cerca de 52% do funcionalismo público. A pandemia tornou possível uma discussão que até então se levava anos, que é a discussão em torno do trabalho remoto.

Da forma com que o trabalho remoto foi implementado, no contexto de uma pandemia e de um isolamento social, os servidores públicos tem enfrentado desafios na execução do home office causados pela sua implementação abrupta, concomitantemente com a pandemia de covid-19. Dentre as dificuldades encontradas estão: o acesso a equipamentos para execução do trabalho, uma boa conexão de internet, um espaço adequado e tranquilo, o entendimento das atividades a serem realizadas, a utilização de novos sistemas, são alguns exemplos dos desafios enfrentados pelos servidores públicos no atual momento. Além disso, há questões de cunho emocional causados pelo isolamento social e familiares acometidos pela covid-19, além da conciliação do trabalho com as tarefas domésticas em um mesmo ambiente.

Uma pesquisa realizada pela Escola Nacional de Administração Pública(ENAP) e Ministério da Economia, revela quais são os maiores desafios que os servidores públicos federais enfrentam na execução do trabalho remoto. De acordo com essa pesquisa, os servidores mais afetados com queda na produtividade, são os que possuem filhos pequenos, visto que, com o isolamento social causado pela pandemia os servidores que possuem filhos necessitam conciliar as suas atividades laborais, com as escolares dos filhos e com as atividades domésticas. De forma geral, entre os principais desafios no trabalho remoto identificados pela pesquisa foram: as distrações que existem em casa e a falta de interação com os colegas, também foram apontados os problemas de cunho tecnológicos enfrentados e a falta de delimitação da fronteira entre vida pessoal e profissional.



O Ministério da Economia informou que o Governo Federal economizou com o trabalho remoto, entre abril e agosto de 2020, cerca de R$ 1 bilhão, incluindo o pagamento de auxílios e adicionais e despesas com diárias, passagens e locomoção, serviços de água, esgoto e energia elétrica, cópias e reprodução de documentos. Ao que tudo parece, haverá um incentivo, por parte do Governo, para que os servidores que desejarem aderir ao trabalho remoto mesmo após o fim da pandemia tenham essa possibilidade, desde que desenvolvam atividades cujas características permitam a mensuração da produtividade e dos resultados, bem como do desempenho do participante em suas entregas.

Para especialistas, a adoção do home office pode tirar carros da rua, pessoas do transporte coletivo e diminuir a poluição, mas é necessário preocupar-se com o bem-estar físico e mental das trabalhadoras e trabalhadores. Por mais que as vantagens sejam consideráveis, é preciso analisar também as desvantagens antes de decidir se vale a pena optar pelo home office no lugar do modelo tradicional de trabalho.

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