Resenha Crítica: A juventude negra brasileira e a questão do desemprego

Lélia Gonzalez graduou-se em história e geografia pela atual, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestranda em antropologia comunicação social e doutoranda em antropologia jurídica, na qual estudou sobre gênero e etnia. Foi professora de Cultura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. E mais, foi co-fundadora do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro e do Movimento Negro (MNU) e do OLODUM.



O artigo “A juventude negra brasileira e a questão do desemprego”, encontra-se no compêndio de artigos escritos pela autora referida, “Por um feminismo afro latino americano”, organizado por Flávia Rios e Márcia Lima, publicado em 2020. O escrito encontra-se entre as páginas 39 a 42.


Inicialmente é apresentado a realidade da economia brasileira, a qual baseada em modelos de produção antigos e a formação de uma massa marginal, que deu-se na formação do capitalismo industrial, gerando graves consequências para o desenvolvimento equilibrado da força produtiva.


Os impactos dessa realidade é a colocação da população negra à margem da sociedade, ocupando os mais baixos níveis da economia. O desemprego e o subemprego são a realidade desse povo marginalizado. Aponta Lélia que o privilégio racial domina a sociedade brasileira. Pessoas brancas sempre tiveram o privilégio de ocupar os mais altos cargos, enquanto que os negros, mesmo que tenham a mesma capacitação, não alcançam o mesmo resultado. A competição não é justa, e a cor da pele determina isso. Por isso, afirma a escritora que existe no Brasil uma divisão racial do trabalho.


A juventude negra sofre com o desemprego e a falta de perspectivas. São chamados de incapazes intelectualmente, burros, preguiçosos, traços do racismo impregnado em um país que ocupa a oitava posição de economia desenvolvida, mas que coloca seus jovens em uma situação de miséria, sem oportunidades. As mulheres negras, estão alocadas nas casas de gente “digna” trabalhando como domésticas ou na prostituição. Poucos são os negros que conseguem concluir o ensino médio e aqueles poucos que chegam nas universidades, sentem em suas peles o que significa ser negro no Brasil. Porque tomam consciência do mito da democracia racial, o que faz criar uma falsa esperança de igualdade na ocupação dos espaços.


Por fim, encerra Lélia em seu artigo com a indagação de qual seria a saída para que possamos chegar num estado de igualdade de oportunidades, se seria a denúncia; se aceitam a questão tal como ela é, e aos poucos, para buscar ter ascensão, tem como consequência, o embranquecimento. Nasce desses questionamentos, o Movimento Negro Unificado, uma organização política, criada e 1970, que vai de encontro a superexploração econômica.


A obra, tem a finalidade de nos fazer refletir sobre a repercussão do racismo no mercado de trabalho e de como ele influência nas relações trabalhistas. De modo geral, Lélia aborda temas importantes e que possuem relevância até os dias atuais. O “mito da democracia racial, tópico apresentado por Kabengele Munanga, antropólogo brasileiro-congolês, persiste na seara trabalhista na ideia do tratamento igual entre negros e brancos, mas ainda é uma realidade distante.


A criação dessa “massa marginal”, termo abordado pela escritora em artigo autoral, ”Cultura, Etnicidade e Trabalho: Efeitos linguisticos e políticos da exploração da mulher”, também presente no artigo aqui tratado, evidencia os problemas do capitalismo industrial para a população negra, ao criar padrões específicos. A obra nos ensina sobre como que o meio de produção impacta no mercado de trabalho e faz emergir uma divisão racial do trabalho, fazendo com que homens negros e mulheres negras continuem ocupando cargos desvalorizados, mesmo possuindo a mesma qualificação que uma pessoa branca.





Referência

Cultura, Etnicidade e Trabalho: Efeitos Lingüísticos e Políticos da Exploração da Mulher. Lélia Gonzalez. 1979

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